A Polícia Federal, em operação denominada Coffee Break, investiga um esquema de fraudes em licitações de materiais escolares envolvendo prefeituras do interior de São Paulo, incluindo Sumaré, Hortolândia, Limeira e Morungaba. Segundo a investigação, os produtos vendidos estavam superfaturados em até 35 vezes o valor de aquisição, e, em alguns casos, a empresa Life Tecnologia Educacional teria comprado livros apenas após vendê-los à prefeitura.
De acordo com análise judicial, a Life adquiria livros por valores entre R$ 1 e R$ 5, revendendo-os para prefeituras por R$ 60 a R$ 80. Em Sumaré, as compras junto à Life totalizam R$ 57.666.606,68, segundo notas fiscais analisadas pela Polícia Federal.
As compras foram realizadas no ano passado, durante a gestão do prefeito Luiz Dalben.
Em Sumaré, os principais investigados são:
José Aparecido Ribeiro Marin – ex-secretário municipal de Educação, apontado como principal parceiro da Life na cidade, responsável por direcionar licitações e liberar pagamentos em troca de propina. Marin foi alvo de mandado de prisão preventiva, não cumprido até o momento, e reside atualmente nos Estados Unidos.
Márcia Cristina Tognete – diretora do Centro de Formação de Educadores Municipais, acusada de receber R$ 187 mil em 42 transações indevidas. Foi alvo de busca e apreensão.
Alejandro Vladimir Bermejo Ângulo Junior – professor que assinou documento desqualificando concorrente da Life em licitação. Foi alvo de busca e apreensão.
Marcus Ricardo Gonçalves – professor que assinou documento desqualificando concorrente em troca de R$ 24 mil. Foi alvo de busca e apreensão.
Clóvis Adriano Viana – professor que assinou documento desqualificando concorrente em troca de R$ 14 mil. Foi alvo de busca e apreensão.
A investigação aponta que o esquema contava com intermediação de lobistas, doleiros e políticos, usados para lavar dinheiro e repassar propinas aos envolvidos. A Life registrou entrada de R$ 128 milhões provenientes de prefeituras, sendo quase todas relacionadas a superfaturamento de produtos.
“O sobrepreço praticado pela empresa é evidente, alcançando até 35 vezes o preço de aquisição da mercadoria. Em alguns casos, além do superfaturamento, a Life teria adquirido livros somente após tê-los vendido à prefeitura”, diz trecho de decisão judicial que cita as investigações policiais.
As defesas dos investigados ainda não se manifestaram oficialmente, e a prefeitura de Sumaré afirmou que aguarda acesso aos autos para avaliar medidas administrativas e legais.
A Polícia Federal segue investigando o envolvimento de Marin e outros parceiros locais, incluindo professores e diretores, para apurar responsabilidades, identificar recursos desviados e esclarecer contratos municipais irregulares.