Câmara de Hortolândia aprova licença sem salário para vice após operação da PF

Decisão afasta Cafu César do cargo eletivo e abre caminho para investigação política sobre contratos da educação

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A Câmara Municipal de Hortolândia aprovou, em sessão extraordinária realizada na terça-feira (17), a licença sem remuneração e por prazo indeterminado do vice-prefeito Cafu César (PSB). O parlamentar foi preso no último dia 12 pela Polícia Federal de Campinas durante a Operação Coffee Break, que apura suspeitas de irregularidades em contratos de distribuição de materiais escolares firmados a partir de 2020.

O pedido de licença foi protocolado pelo próprio vice-prefeito e aprovado com 17 votos favoráveis. O presidente da Casa, Daniel Laranjeira (PSD), não votou, enquanto o vereador Ceará (União) esteve ausente. Com o afastamento, o cargo de vice permanece vago e, em eventuais ausências do prefeito Zezé Gomes (Republicanos), a representação do Executivo ficará sob responsabilidade de Laranjeira.

Cafu já havia sido exonerado do cargo de secretário de Governo no dia da operação, mas, por se tratar de um mandato eletivo, seu afastamento como vice dependia de autorização da Câmara.

A Operação Coffee Break também levou à exoneração de outros dois secretários e de uma ex-diretora da Prefeitura de Hortolândia. Segundo a PF, os investigados teriam influenciado processos para liberar verbas e firmar contratos milionários em favor da empresa Life Educacional, com sede em Piracicaba. A Prefeitura de Sumaré também aparece no escopo das apurações.

Contratos sob suspeita

Grande parte dos contratos investigados envolve a compra de livros paradidáticos e sistemas de informática voltados à rede municipal de ensino. As negociações teriam impulsionado um salto expressivo no capital social da Life Educacional, que passou de R$ 300 mil em 2022 para R$ 34 milhões em 2024.

A defesa de Cafu informou que está analisando os autos e deverá solicitar a reversão da prisão preventiva.

CEI será instalada e deve aprofundar investigações

Além da atuação da Polícia Federal, a Câmara de Hortolândia aprovou a abertura de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para apurar possíveis fraudes em licitações, suspeitas de superfaturamento, favorecimento indevido e eventual desvio de recursos públicos. A comissão será composta por três membros e um suplente e terá prazo inicial de 90 dias — prorrogável — para concluir os trabalhos.


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