Exame de DNA confirma sangue de vítima de feminicídio em residência de acusado
Laudo do Instituto de Criminalística reforça investigação e mobiliza moradores por mais segurança no Jardim Minesota
A investigação sobre o feminicídio de Marilza Machado de Oliveira, de 53 anos, deu um passo decisivo após a conclusão do laudo do Instituto de Criminalística (IC). O exame de DNA confirmou que o sangue encontrado em vários cômodos da casa de Marcelo A. P. S., de 50 anos — localizada no Jardim Minesota, em Sumaré — pertence à vítima. Os vestígios estavam em paredes da cozinha, banheiro, quarto e no colchão, mesmo após sinais de tentativa de limpeza revelados pelo luminol.
O laudo, concluído nesta terça-feira (9), reforça a linha investigativa conduzida pelo delegado Bruno Ramaldes Puppim. Marilza havia desaparecido por mais de uma semana e foi encontrada sem vida no dia 17 de março, às margens do Ribeirão Quilombo, a apenas 100 metros da casa do acusado.
Indícios de tortura e violência extremaA denúncia apresentada pelo Ministério Público aponta fortes indícios de que Marilza foi submetida a tortura, estupro e agressões intensas antes de morrer. O corpo foi encontrado despido, com cabelos raspados e mãos e pernas amarradas. Uma corda semelhante à encontrada junto ao corpo também foi identificada no interior da casa do suspeito.
Durante as investigações, uma testemunha sob proteção relatou ter ouvido gritos vindos da casa de Marcelo na noite do crime. Moradores da região também relataram comportamento recorrente do acusado em atrair mulheres vulneráveis para o imóvel.
Histórico criminal e denúncia do Ministério Público
Marcelo S. possui extensa ficha criminal: já cumpriu pena por extorsão mediante sequestro, tráfico de drogas, cinco ocorrências de roubo, além de registros de violência doméstica e ameaça. O Ministério Público o denunciou por feminicídio qualificado por motivo fútil e ocultação de cadáver.
A prisão do suspeito ocorreu inicialmente por receptação, ao ser encontrado com a carteira de outra vítima durante cumprimento de mandado de busca e apreensão. Posteriormente, a Justiça decretou a prisão pelo homicídio de Marilza.
Defesa nega envolvimento
O advogado do acusado, Eduardo Galdino Silva, afirmou que Marcelo nega o crime e que a defesa buscará comprovar sua inocência. “Meu cliente disse que não teve nenhum contato próximo com a Marilza, iremos seguir de acordo com a sua versão sobre o caso”, declarou o defensor.
Repercussão em Sumaré e pedido de segurança
O caso mobiliza moradores do Jardim Minesota e regiões próximas, que relatam preocupação crescente com a vulnerabilidade de mulheres e a necessidade de reforço nas políticas de proteção. A confirmação do DNA reforça o trabalho da Polícia Civil e aumenta a expectativa da população por justiça célere e ações preventivas no território.
Homenagem à vítima
O filho de Marilza, o músico Nelson Rodrigues Júnior, conhecido como Dela Sol, lamentou a perda da mãe e revelou que não teve tempo de apresentar a ela uma música composta em sua homenagem. A cidade acompanha com pesar e indignação cada avanço da investigação.
A Prefeitura de Sumaré reforça que políticas de enfrentamento à violência contra a mulher seguem sendo prioridade e orienta a população a denunciar casos suspeitos por meio dos canais oficiais, como 190 (PM), 180 (Central de Atendimento à Mulher) e Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).