Nova concessão encerra ciclo de empresas históricas no transporte de Campinas

Leilão realizado na B3 define novos operadores e prevê bilhões em investimentos no sistema

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A licitação que definirá o novo sistema de transporte coletivo de Campinas marcou o fim de um ciclo histórico no transporte da cidade. Empresas que operavam o serviço há décadas, ligadas ao chamado Grupo Belarmino e a consórcios do atual sistema, foram derrotadas no leilão realizado nesta quinta-feira (5), na sede da B3, em São Paulo.

Com o resultado, novos grupos empresariais passam a assumir a operação do transporte coletivo, enquanto as empresas que comandavam o sistema deixam a concessão após o período de transição.

O modelo vigente era operado por companhias ligadas ao Grupo Belarmino, responsável pela VB Transportes, além do consórcio formado por Expresso Campibus, Onicamp Transportes e Itajaí Transportes Coletivos.

Quem venceu a nova concessão

No novo modelo, os dois lotes da concessão foram arrematados por empresas diferentes:

  • Lote Sul – regiões Leste, Sul e Sudoeste da cidade
    • Vencedora: Sancetur – Santa Cecília Turismo Ltda
  • Lote Norte – regiões Norte, Oeste e Noroeste
    • Vencedor: Consórcio Grande Campinas

Os consórcios ligados às empresas que atualmente operam o transporte participaram da disputa, mas foram superados nas propostas financeiras apresentadas durante o leilão.

Como foi a disputa

A sessão pública de abertura das propostas financeiras durou cerca de duas horas e reuniu representantes das empresas, autoridades municipais e especialistas do setor de mobilidade.

Entre os destaques da disputa:

  • Lote Sul
    • Tarifa inicial: R$ 11,21
    • Proposta vencedora: R$ 9,54
    • Deságio de 14,9%
  • Lote Norte

    • Tarifa inicial: R$ 11,76
    • Proposta vencedora: R$ 9,49
    • Deságio de 19,3%

A chamada tarifa de remuneração é usada para calcular os custos da operação do sistema e não corresponde diretamente ao valor pago pelos usuários na catraca.

O que prevê a nova concessão

O novo contrato terá duração de:

  • 15 anos de concessão
  • possibilidade de prorrogação por mais 5 anos

Além da operação das linhas de ônibus, o contrato inclui:

  • Operação do PAI-Serviço, voltado a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida
  • Gestão dos terminais urbanos e estações do BRT
  • Administração da bilhetagem eletrônica
  • Monitoramento operacional do sistema

Investimentos previstos

O novo modelo prevê forte modernização do transporte coletivo com investimentos bilionários.

Entre os principais pontos:

  • R$ 1,7 bilhão para renovação da frota
    • R$ 900 milhões nos primeiros cinco anos
    • R$ 800 milhões na década seguinte
  • R$ 1,9 bilhão para:
    • tecnologia embarcada
    • infraestrutura
    • melhorias em terminais e estações

Frota mais moderna e menos poluente

A nova concessão também estabelece metas ambientais para o sistema, incluindo:

  • pelo menos 60 ônibus elétricos nos primeiros anos
  • veículos seguindo o padrão ambiental Euro 6
  • possibilidade de uso de biometano, GNV ou hidrogênio

Próximos passos

Caso não haja questionamentos jurídicos ou impedimentos na fase de habilitação das empresas vencedoras, a expectativa da Prefeitura de Campinas é que:

  • os contratos sejam assinados ainda neste semestre
  • o novo modelo de transporte coletivo comece a ser implantado na cidade

O resultado do leilão marca uma mudança estrutural no transporte público de Campinas, encerrando um período de décadas de operação dos mesmos grupos empresariais e abrindo espaço para uma nova fase no sistema.


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